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domingo, outubro 18, 2015

Vermelho

Às vezes eu só quero descansar
Desacreditar no espelho
Ver o sol se pôr vermelho

Acho graça
Que isso sempre foi assim
Mas você me chama pro mundo
E me faz sair do fundo de onde eu tô de novo

Nada sei dessa tarde
Se você não vem
Sigo o sol na cidade
Pra te procurar

Eu bem sei onde tudo vai parar
Já não tenho medo do mundo
Sou filho da eternidade

Trago nesses pés o vento
Pra te carregar daqui
Mas você sorri desse jeito
E eu que já perdi a hora e o lugar
Aceito.

Nada sei nessa tarde
Se você não vem
Sigo o sol na cidade
A te procurar

Nada de meu nesse lugar
A cidade vai pensar
Que nada aconteceu em vão
Você vai me ligar então mais uma vez

By Marcelo Camelo in Vermelho.

sexta-feira, junho 01, 2007

Tênis e Frescobol


Rubem Alves

Depois de muito meditar sobre o assunto concluí que os casamentos [relacionamentos] são de dois tipos: há os casamentos do tipo tênis e há os casamentos do tipo frescobol. Os casamentos do tipo tênis são uma fonte de raiva e ressentimentos e terminam sempre mal. Os casamentos do tipo frescobol são uma fonte de alegria e têm a chance de ter vida longa.
Explico-me. Para começar, uma afirmação de Nietzche, com a qual concordo inteiramente. Dizia ele: "Ao pensar sobre a possibilidade do casamento cada um deveria se fazer a seguinte pergunta: 'Você crê que seria capaz de conversar com prazer com esta pessoa até sua velhice?' Tudo o mais no casamento é transitório, mas as relações que desafiam o tempo são aquelas construídas sobre a arte de conversar."
Scheherazade sabia disso. Sabia que os casamentos baseados nos prazeres da cama são sempre decapitados pela manhã, e terminam em separação, pois os prazeres do sexo se esgotam rapidamente, terminam na morte, como no filme O Império dos Sentidos. Por isso, quando o sexo já estava morto na cama, e o amor não mais se podia dizer através dele, ela o ressuscitava pela magia da palavra: começava uma longa conversa sem fim, que deveria durar mil e uma noites. O sultão se calava e escutava as suas palavras como se fossem música. A música dos sons ou da palavra - é a sexualidade sob a forma da eternidade: é o amor que ressuscita sempre, depois de morrer.
Há os carinhos que se fazem com o corpo e há os carinhos que se fazem com as palavras. E contrariamente ao que pensam os amantes inexperientes, fazer carinho com as palavras não é ficar repetindo o tempo todo: "Eu te amo...". Barthes advertia: "Passada a primeira confissão, 'eu te amo' não quer dizer mais nada."
É na conversa que o nosso verdadeiro corpo se mostra, não em sua nudez anatômica, mas em sua nudez poética. Recordo a sabedoria de Adélia Prado: "Erótica é a alma".
O tênis é um jogo feroz. O seu objetivo é derrotar o adversário. E a sua derrota se revela no seu erro: o outro foi incapaz de devolver a bola. Joga-se tênis para fazer o outro errar. O bom jogador é aquele que tem a exata noção do ponto fraco do seu adversário, e é justamente para aí que ele vai dirigir sua cortada - palavra muito sugestiva - que indica o seu objetivo sádico, que é o de cortar, interromper, derrotar. O prazer do tênis se encontra, portanto, justamente no momento em que o jogo não pode mais continuar porque o adversário foi colocado fora de jogo. Termina sempre com a alegria de um e a tristeza de outro.
O frescobol se parece muito com o tênis: dois jogadores, duas raquetes e uma bola. Só que, para o jogo ser bom, é preciso que nenhum dos dois perca. Se a bola veio meio torta, a gente sabe que não foi de propósito e faz o maior esforço do mundo para devolvê-la gostosa, no lugar certo, para que o outro possa pegá-la. Não existe adversário porque não há ninguém a ser derrotado. Aqui ou os dois ganham ou ninguém ganha. E ninguém fica feliz quando o outro erra - pois o que se deseja é que ninguém erre. O erro de um, no frescobol, é como ejaculação precoce: um acidente lamentável que não deveria ter acontecido, pois o gostoso mesmo é aquele ir e vir, ir e vir, ir e vir...
E o que errou pede desculpas, e o que provocou o erro se sente culpado. Mas não tem importância: começa-se de novo este delicioso jogo em que ninguém marca pontos...
A bola: são nossas fantasias, irrealidades, sonhos sob a forma de palavras. Conversar é ficar batendo sonho prá lá, sonho prá cá... Mas há casais que jogam com os sonhos como se jogassem tênis. Ficam à espera do momento certo para a cortada. Tênis é assim: recebe-se o sonho do outro para destruí-lo, arrebentá-lo, como bolha de sabão... O que se busca é ter razão e o que se ganha é o distanciamento. Aqui, quem ganha sempre perde.
Já no frescobol é diferente: o sonho do outro é um brinquedo que deve ser preservado, pois se sabe que, se é sonho, é coisa delicada, do coração. O bom ouvinte é aquele que, ao falar, abre espaços para que as bolhas de sabão do outro voem livres.
Bola vai, bola vem - cresce o amor... Ninguém ganha, para que os dois ganhem. E se deseja então que o outro viva sempre, eternamente, para que o jogo nunca tenha fim...

segunda-feira, maio 21, 2007

Devolva o Neruda que você me tomou e nunca leu!

POEMA 10

Nós perdemos também este crepúsculo,
Ninguém nos viu à tarde com as mãos unidas
Enquanto a noite azul caía sobre o mundo.

Vi de minha janela,
A festa do poente nos montes distantes

Às vezes, qual moeda,
Acendia-se um pouco de sol em minhas mãos.

Eu te recordava com a alma apertada
por essa tristeza que conheces em mim.

Então, onde estarias?
Junto a que gente?
Dizendo que palavras?
Por que me há de vir todo esse amor de um golpe
Quando me sinto triste e te sinto distante?

Caiu-me o livro que sempre se escolhe ao crepúsculo,
E como um cão ferido rolou-me os pés a capa.

Sempre, sempre te afastas pela tarde,
até onde o crepúsculo corre apagando estátuas

sexta-feira, maio 18, 2007

As flores do mal

Matilde era uma mulher simples, pacata, 32 anos, solteira, nem feia, nem bonita. Filha única, os pais já haviam morrido há anos, morava num apartamento de um conjunto habitacional em Miracema do Norte.

Todos os dias, de segunda a sábado, Matilde seguia para o trabalho de ônibus. Nos seus afazeres, como caixa de uma padaria no centro da cidade, não tinha muito tempo para pensar em sua própria vida, mas durante as viagens que fazia, entre o trabalho e a casa, a imaginação corria. Estava sempre com um livro nas mãos, os romances eram os preferidos.

Desde menina Matilde sonhava com o casamento, um homem amável, bonito e dedicado.
Não teve sorte, nenhum homem se aproximou dela da forma que gostaria. Alguns chegavam muito agressivamente, chamando-a para sair e já dizendo das intenções que tinham, outros eram tão tímidos , assim como ela, que a conversa não ia prá frente.

Um belo dia, entre o pagamento de uma média e um maço de cigarros, chegou um vaso de violetas com o seguinte bilhete: "Para enfeitar o seu dia, Matilde." Intrigada, não levou a sério já que não estava acostumada com galanteios, os seus sonhos jamais se realizariam. No dia seguinte, uma rosa, e no outro um ramo de crisântemos e depois margaridas, e todos com o mesmo bilhete. A esta altura Matilde já estava curiosa e ao mesmo tempo tensa com a situação: quem seria o seu admirador secreto?

O sábado chegou e Matilde não recebeu nenhuma flor. Quando já estava fechando o caixa, as oito da noite, aparece na frente dela um homem de aproximadamente 55 anos, moreno, alto, forte, bem vestido e com uma pinta na bochecha esquerda. Matilde ficou impressionada com a figura, mas ao mesmo tempo zangada, pois já havia fechado o dia.

O homem se aproximou e disse: “Boa noite, esses bombons são para você”. Vermelha como um pimentão, sorriu timidamente como quem agradecesse, já desconfiada que este seria seu admirador. O homem saiu sem nada mais dizer e Matilde trêmula, fechou a padaria.

Andou uns 500 metros e foi abordada novamente pelo homem dos bombons e das flores. Ele a segurou fortemente pelos braços e a beijou. Matilde se entregou ao beijo como se desmaiasse. O homem disse que há cinco anos olhava Matilde de longe sem conseguir chegar perto e que agora não poderia mais esperar. Matilde queria se desvencilhar do olhar e dos braços dele, mas não conseguia. Era a força do homem somada a força do momento, contra tudo que ela deveria fazer.

Rapidamente ele pediu que Matilde entrasse no carro, a intenção era conversar e deixá-la em casa. Matilde relutou , mas ele disse que nada temesse. Ele já a conhecia há cinco anos, não demoraria tanto a fazer algum mal se esta fosse a intenção. Matilde conformada entrou no carro e nunca mais foi vista.

segunda-feira, maio 14, 2007

Gram positivo!


Se não vai
Não desvie a minha estrela
Não desloque a linha reta

Você só me fez mudar
Mas depois mudou de mim
Você quer me biografar
Mas não quer saber do fim

Mas se vai

Você pode ir na janela
Pra se amorenar no sol
Que não quer anoitecer

E ao chegar no meu jardim
Mostro as flores que falei

Vai sem duvidar
Mas se ainda faz sentindo, vem
Até se for bem no final
Será mais lindo

Como a canção que um dia fiz
Pra te brindar

Você só me fez mudar
Mas depois mudou de mim

Banda paulista Gram

sexta-feira, março 23, 2007

O Beijo do Escorpião

Escorpião o bicho:

O nome escorpião é derivado do latim scorpio/scorpionis. Existem registros científicos da existência dos escorpiões há mais de 400 milhões de anos. Segundo pesquisas, foram eles os primeiros artrópodes a conquistar o ambiente terrestre.São animais carnívoros e têm geralmente hábitos noturnos e crepusculares, quando caçam e se reproduzem. Sua alimentação é baseada em insetos invertebrados tais como cupins, grilos, baratas, moscas e mutucas, e também de outro aracnídeo, a aranha. Uma curiosidade a destacar aqui é o fato de, quando da escassez completa de alimento, os animais desta espécie praticam o canibalismo para sobreviver, ou seja, devoram seus semelhantes. Os escorpiões conseguem comer quantidades imensas de alimento, mas só precisam ingerir 10% da comida de que necessitam, podendo passar até um ano sem comer e consumindo muitíssimo pouca água, quase nada durante sua vida inteira.

Escorpião nos quadrinhos:

Escorpião é um personagem da Marvel Comics, supervilão das histórias do Homem-Aranha.Seu verdadeiro nome é Macdonald "Mac" Gargan e apareceu pela primeira vez em "Amazing Spider-Man #20". Foi criado por Stan Lee e Steve Ditko. Na concepção original era mais forte do que o Aranha, além de possuir um ferrão na cauda acoplada ao seu uniforme.

Escorpião no zodíaco:

O signo de Escorpião inicia em 23 de Outubro e termina em 22 de Novembro. É um signo tão mal compreendido e, injustamente, vilipendiado! Oitavo signo do Zodíaco, é negativo, fixo, de Água, violento, fecundo, noturno e mudo. É governado pelo planeta Marte e tem como co-regente o planeta Plutão.

Os nativos deste signo são seres de grandes contrastes, em todos os sentidos, capazes de grandes ódios e de paixões violentas. Guardam dentro de si os seus sentimentos e seus dramas, demostrando aparente frieza e controle. Mas, como sofrem! As forças ocultas, os ciúmes, os dramas passionais, os amores contrariados, roem suas entranhas e em vão eles tentam controlá-los! Quando, como uma panela de pressão, não suportam mais este rebuliço interior, explodem, dilacerando-se e destruindo tudo o que está em volta!

E a paz vai voltar a reinar! É sim, pois estes nativos são também capazes de grandes sentimentos. Adoram pesquisar as profundezas da alma humana, em buscas que os levam a compreender o subconsciente (são ótimos psiquiatras) e, se possuírem a habilidade e o poder de julgar justamente, irão conseguir com tenacidade regenerar, recriar, fazer renascer as flores no meio das cinzas!

Parecem muitas vezes frios e calculistas, (e o são)! Mas o fazem para não mostrar seus sentimentos interiores. Dificilmente se revelam, parecendo reticentes e por isso são difíceis de serem compreendidos. Devem tomar cuidado para não ser manipuladores, pois são grandes estrategistas e adoram o poder!

Se envolvem freqüentemente em brigas por motivos de herança, e tem grandes sentimentos de vingança. Parecem ter um certo prazer em solapar a alma humana para colocar em mostra sua podridão!

Escorpião na música:

SCORPIONS: Known best for their 1984 anthem "Rock You Like a Hurricane" and the 1990 ballad "Wind of Change," the German rockers the Scorpions have sold over 22-million records, making them one of the most successful rock bands to ever come out of Continental Europe.

Escorpião no cinema:

The Curse of the Jade Scorpion - O Escorpião de Jade (2002)
The Scorpion King - O Rei Escorpião (2002)

Escorpião na letra:

Kiss Of The Scorpion

You've been walking down the highway
Your coming into your home
As you drown in your pool of madness
Your never gonna be alone
That's why I'm here

Look up child and love your savior
The scorpion is in my eyes
Its time to strip our souls naked
The freedom of all disguise
When you take me aside
To become an immortal
The warmths of the flesh now
Are gonna set you free

You'll swim in the sweat of a million orgies
You'll live in the fire of a sweetest hell
And bear your soul to the rays of a mortal sun
And give your lips to the kiss of the scorpion

I ain't the creator and I ain't satan
I come from another place
Trust with me your fingers baby
There's eternity on my face
This world ain't big enough for your questions
I deal with the stars now just to get you right

It's time you suck the cock of the Fire God

You'll swim in the sweat of a million orgies
You'll live in the fire of a sweetest hell
And bear your soul to the rays of a mortal sun
And give your lips to the kiss of the scorpion

You'll swim in the sweat of a million orgies
You'll live in the fire of a sweetest hell
And bear your soul to the rays of a mortal sun
And give your lips to the kiss of the scorpion
The scorpion